(Uma história escrita por Lenardo Sanches) Um conto infantil em homenagem a ANDRELINO. Pag 2.

                                           

                                           


“Rai Al”


Por volta de 1488, numa das florestas mais ricas da face da terra, nasce um indiozinho, que ao crescer passa-se chamar “Rai Al”, que significa “Raio de Sal” na língua indígena local.






Este nome o foi dado por sempre estar correndo como um raio no meio da mata, e como neste lugar, havia praias e uma lagoa enorme que continham muito sal, sempre que ele passava o dia mergulhando nestas águas, ao secar, ficava tão cheio de sal que quando o sol batia nele correndo, chegava a brilhar com o reflexo que o sal provocava ao refletir a luz em seu corpo, daí o efeito e o porquê de se chamar “Rai Al”.


Rai Al cresceu brincando entre as árvores, subia nelas, pulava de uma para a outra, observava os animais da região. Ele chegou a um grau de intimidade com macacos, bichos preguiças, tamanduás, araras, diversas espécies de pássaros, e sua energia era tão boa, amena e positiva que chegou a ser aceito até entre as onças e demais felinos e outras espécies de animais do seu habitat.



Com o tempo, Rai Al aprendeu a mergulhar como um golfinho, nadava entre eles como se fizesse parte da família, tinha uma capacidade pulmonar extraordinária, ou seja, tanto na terra, quanto no mar, vivia como um igual aos seres que ali residiam, um espírito irmão para todos que o conheciam e conviviam com ele.
Mas um dia, tudo mudou, uma catástrofe, chegava sem avisar, quebrando toda a rotina saudável, linda e perfeita daquele lugar. Nos anos de 1500, chegam homens invasores nas terras onde Rai Al morava.














Chegaram em canoas gigantes, movidas com o vento, sem fazer barulho, como uma tempestade que se aproxima de repente trazendo muita insegurança com sua força natural. 



No caso destas “Naus” enormes, transportaram um futuro destruidor, estes piratas das “Terras Alheias”, já chegaram jogando suas âncoras pesadas nas pedras repletas de corais coloridos, arrastando-as em tudo que passava, machucando a vida marinha que estivesse no caminho. Ao pisarem nesta terra, olharam e acreditaram terem descoberto uma nova esperança para explorarem o minério e tudo que pudessem levar como suas novas posses para o outro lado do oceano “Europa”. 


Eles tinham que trazer retorno ao reino que os mandou para tais explorações. A ideia era encontrar terra nova e toda riqueza que pudessem carregar em seus navios para reabastecerem seu reinado que não se saciava com pouco, sempre querendo mais e mais para disputar e tentar mostrar para outros povos quem era mais rico em ouro, madeira, peles de animais e o que mais pudessem carregar.



Nesta época, o índio mirim Rai Al, estava com 12 anos, e ao perceber o perigo com a chegada desta gente abusada e sem respeito pela vida alheia, sentiu que precisava fazer algo rápido e urgente para ajudar seus irmãos animais. 



Foi aí que, como o raio que era, rápido e sagaz, correu por todos os cantos no intuito de convencer a todos a fugirem para o mais longe que pudessem em direção ao interior das matas e montanhas, pois caso ficassem, iriam acabar mortos, capturados por aqueles homens sem noção de amor, respeito e consideração pelos outros.



Conseguindo salvar boa parte dos seus amigos animais que lá habitavam, fazendo com que entendessem e concordassem ser o mais certo, fugirem para longe dali, Rai Al os acompanhou, trilhando por entre as matas, e nunca mais ouviram falar dele, somente que um indiozinho, havia sumido guiando várias espécies de animais pelo meio da floresta, desaparecendo como se fizesse parte dela até não se ouvir nem ver mais sons ou imagens destes. 




Anos depois, em 1940, na cidade que veio a ganhar o nome de “Arraial do Cabo”, justamente em homenagem à aquele indiozinho que passou a fazer parte de uma lenda na região, salvando muitos animais a não serem capturados ou mortos pelos invasores da época, pois por ser chamado de “Rai Al” e àquelas terras terem o formato de uma flecha em direção ao oceano como se fosse a ponta de um cabo, recebeu este nome “Arraial do Cabo”. 













Uma criança nasce branquinha, cabelos e olhos clarinhos, e seus pais ao baterem os olhos no bebê que acabara de vir ao mundo, resolvem dar o nome de “Angelino”, pois que este parecia um anjo vindo do céu para os braços desta família. Angelino, cresceu, estudando, convivendo com os pescadores locais, aprendendo a arte de conviver neste ambiente da pesca e cultivo do sal.




 Mas em seus sonhos, sempre que dormia, se via numa floresta, com muitos animais, tinha e impressão de fazer parte daquilo tudo, grandes árvores, tigres, onças, leopardos, leões, girafas, como se fosse uma África, com o tempo, foi tendo o instinto natural de querer modelar grandes esculturas dando vida a animais, e aos poucos, foi se transformando no “Mestre das Esculturas”, realizou trabalhos manuais praticamente perfeitos, como por exemplo, um pescador com chapéu tipo sombreiro, trajes apropriados para o dia a dia destes trabalhadores artesanais, entre outras obras lindíssimas que aos poucos tomavam forma, e de um sonho, se transformavam em realidade visual para todos que por ali passassem e quisessem admirar a arte do Sr. Angelino.















O Sr. Angelino, casou, teve filhos, netos, foi ficando mais velho, querido pela comunidade local por seu jeito singelo de ser, pessoa humilde, bondosa, amiga, sempre com um sorriso no rosto passando alegria, sinceridade e positividade para os que o rodeavam, ou tinham o prazer de conhece-lo pelos tempos em que viveu.





Sr. Angelino, ao ficar mais idoso, como todos um dia, foi embora, se mudou para próximo dos irmãos que nos protegem, mas deixou como herança, toda a beleza daquelas obras esculturadas por suas mãos, lembranças de sonhos que se tornaram realidade eternizada em sua casa a qual passou a chamar de “Casa das Estátuas”.










Dizem alguns que o conheceram, acreditarem que o Sr. Angelino, foi um dia aquele indiozinho da tal lenda, em que Rai Al, salvou os animais da invasão dos estrangeiros, e que prometeu que um dia, voltaria, e traria de volta de alguma forma seus amigos, irmãos de várias espécies de volta a um lugar seguro na região que outrora fora seu habitat natural. 



Muitos visitam esta casa hoje em dia, e tem pessoas que chegam a comentar que sentem a energia boa no local e que com certeza sua luz está sempre presente como protetor daqueles que necessitem de ajuda, acolhimento, amor e fraternidade.









Esta é uma homenagem ao Sr. Andrelino Gomes de Oliveira (08/05/1940 – 25/11/2014).







O verdadeiro espírito de luz que fez tudo isso acontecer. Nossos sonhos podem se tornar realidade, basta fazer como o Sr. Andrelino, sonhar, acreditar e construir um mundo mais bonito. Se cada um fizer a sua parte, a esperança não morrerá, estará viva para a eternidade através do amor ao próximo, amor a tudo e a todos que convivam como irmãos.












Sr. Andrelino e sua última obra. Deixou um verdadeiro “Rei” para tomar conta da casa onde viveu por anos, dando vida aos sonhos. Com certeza sabia estar deixando sua representação de guardião da esperança.



         (Homenagem feita por Lenardo Luís Sanches        Vasconcellos)

         

 Arraial do Cabo, 9 de setembro de 2015.

                                                                
                                       RJ/Brasil.

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